programa da actual direcção

 Junho 2005 

 

“Abril em Maio” : o futuro é agora

 

Um projecto bem sucedido.

A “Abril em Maio”, associação fundada em 1994, por ocasião dos 20 anos do 25 de Abril, materializou, ao longo destes anos, um projecto singular de associativismo e de intervenção cultural que, inspirando-se na memória do movimento popular que marcou a revolução de Abril e na sua dimensão emancipatória, se afirmou como uma alternativa às lógicas culturais de mercado. A Abril em Maio cresceu, desenvolveu iniciativas originais e pioneiras, criou uma sede, reformulou-se (e mudou de sede), passou pela “estaca zero” e chegou hoje ao fim de um ciclo. Os sobressaltos, as “crises” e uma inevitável (?) erosão da participação associativa marcaram um percurso cujo balanço global é claramente positivo. Importa que o futuro da associação possa ser pensado e construído na continuidade do projecto de sempre, repetidamente reafirmado, e não ditado por uma espécie de causalidade do destino em que as circunstâncias e os constrangimentos se imponham à nossa decisão livre e criativa.

Que fazer?

O que está em causa não é eleger novos corpos gerentes e retomar a “vida normal” da associação. Porque não esquecemos o projecto de sempre achamos que é preciso mudar de vida e repensar o futuro da associação. Para isso é simultaneamente necessário preservar e compreender o que fomos e o que fizemos, não para ficarmos agarrados ou virados para o passado, mas como condição para agir no presente e construir um futuro que nos agrade. Por isso pensamos que o futuro é agora! Por isso apresentamos um programa de acções concretas para pôr em prática num período de seis meses (até Dezembro de 2005).

Criar condições para repensar a Abril em Maio

Pela sua dimensão, pela diversidade de “serviços” e a consequente necessidade de assegurar “permanências” e fazer funcionar o bar, pela complexidade de alguns sectores de actividade (a loja), criou-se, na Abril em Maio, uma teia de que nos arriscamos a ficar reféns. É por isso que é preciso mudar de vida, o que significa estabelecer uma ruptura com este tipo de funcionamento. Esse processo passa por:

  • Realizar um inventário rigoroso dos bens da Abril em Maio;
  • Fazer um apuramento rigoroso e imediato da situação financeira da Abril em Maio;
  • Proceder ao fecho das contas de 2004 e elaborar o respectivo Relatório e Contas;
  • Realizar um processo de refiliação de sócios, abrangendo todos aqueles que tenham dois ou mais anos de quotas em atraso (incluindo 2005);
  • Proceder ao encerramento da Loja e regularizar créditos e débitos;
  • Reduzir ao mínimo indispensável as despesas correntes, assegurando o carácter operacional das instalações, para acções concretas decididas pela Direcção;
  • Circunscrever o uso do Bar ao apoio às acções anteriormente referidas.

Repensar e construir, na acção, o futuro da Abril em Maio

Até ao fim do ano, esta direcção propõe-se realizar:

  • A propósito dos trinta anos do “verão quente” de 1975, um ciclo “comemorativo” dos “excessos do Prec”;
  • Apoiar a realização do número Zero de uma revista, cujo conteúdo será o registo e o balanço das actividades desenvolvidas pela Abril em Maio, desde a sua fundação. Está em causa um exercício de memória, mas, sobretudo, um exercício de pensamento prospectivo. Que intervenção no futuro?
  • Na realização do “ciclo” e na produção da revista procurar-se-á envolver, quer na concepção,  quer na realização, pessoas que se situem para lá das fronteiras associativas da Abril em Maio e que se disponham a pensar formas de intervenção cultural, a partir do projecto que a Abril em Maio representa. Consideramos importante que nessas equipas possam estar implicadas pessoas representativas de alguma diversidade geográfica, para que se possa reequacionar a nossa “antiga” ideia de rede.
  • Promover a divulgação e venda dos materiais e produtos da Abril em Maio, fazendo coincidir iniciativas nesse sentido com a realização do ciclo e com o lançamento da revista.

Devolver a palavra aos sócios

Esta direcção compromete-se a, no final do ano de 2005, organizar um debate interno na Abril em Maio, a culminar numa Assembleia Geral convocada para o efeito, e onde   serão apresentadas propostas e tomadas decisões quanto às formas de dar continuidade à intervenção da Abril em Maio.

 

Sem colocar em causa as especifidades, responsabilidades e competências estatutárias de cada um dos órgãos a eleger, esta direcção privilegiará um estilo de trabalho colegial (promotor da solidariedade e corresponsabilização de todos, através de reuniões da Direcção alargadas ao conjunto dos Corpos Gerentes), eficaz  (para cada reunião uma acta; em cada acta decisões concretas; controlo de execução), económico (uma reunião por mês e aplicação consequente do princípio “à noite trabalham as lâmpadas”) e transparente (informação aos sócios de todas as decisões e actividades).