“Abril
em Maio” : o futuro é agora
Um
projecto bem sucedido.
A
“Abril em Maio”, associação fundada em 1994, por ocasião dos 20
anos do 25 de Abril, materializou, ao longo destes anos, um projecto
singular de associativismo e de intervenção cultural que, inspirando-se
na memória do movimento popular que marcou a revolução de Abril e na
sua dimensão emancipatória, se afirmou como uma alternativa às lógicas
culturais de mercado. A Abril em Maio cresceu, desenvolveu iniciativas
originais e pioneiras, criou uma sede, reformulou-se (e mudou de sede),
passou pela “estaca zero” e chegou hoje ao fim de um ciclo. Os
sobressaltos, as “crises” e uma inevitável (?) erosão da participação
associativa marcaram um percurso cujo balanço global é claramente
positivo. Importa que o futuro da associação possa ser pensado e construído
na continuidade do projecto de sempre, repetidamente reafirmado, e
não ditado por uma espécie de causalidade do destino em que as circunstâncias
e os constrangimentos se imponham à nossa decisão livre e criativa.
Que
fazer?
O
que está em causa não é eleger novos corpos gerentes e retomar a
“vida normal” da associação. Porque não esquecemos o projecto de
sempre achamos que é preciso mudar de vida e repensar o futuro da associação.
Para isso é simultaneamente necessário preservar e compreender o que
fomos e o que fizemos, não para ficarmos agarrados ou virados para o
passado, mas como condição para agir no presente e construir um futuro
que nos agrade. Por isso pensamos que o futuro é agora! Por isso
apresentamos um programa de acções concretas para pôr em prática
num período de seis meses (até Dezembro de 2005).
Criar
condições para repensar a Abril em Maio
Pela
sua dimensão, pela diversidade de “serviços” e a consequente
necessidade de assegurar “permanências” e fazer funcionar o bar, pela
complexidade de alguns sectores de actividade (a loja), criou-se, na Abril
em Maio, uma teia de que nos arriscamos a ficar reféns. É por isso que
é preciso mudar de vida, o que significa estabelecer uma ruptura com este
tipo de funcionamento. Esse processo passa por:
- Realizar um inventário
rigoroso dos bens da Abril em Maio;
- Fazer um apuramento rigoroso e
imediato da situação financeira da Abril em Maio;
- Proceder ao fecho das contas
de 2004 e elaborar o respectivo Relatório e Contas;
- Realizar um processo de
refiliação de sócios, abrangendo todos aqueles que tenham dois ou
mais anos de quotas em atraso (incluindo 2005);
- Proceder ao encerramento da
Loja e regularizar créditos e débitos;
- Reduzir ao mínimo indispensável
as despesas correntes, assegurando o carácter operacional das instalações,
para acções concretas decididas pela Direcção;
- Circunscrever o uso do Bar ao
apoio às acções anteriormente referidas.
Repensar
e construir, na acção, o futuro da Abril em Maio
Até
ao fim do ano, esta direcção propõe-se realizar:
- A propósito dos trinta anos
do “verão quente” de 1975, um ciclo “comemorativo” dos
“excessos do Prec”;
- Apoiar a realização do número
Zero de uma revista, cujo conteúdo será o registo e o balanço das
actividades desenvolvidas pela Abril em Maio, desde a sua fundação.
Está em causa um exercício de memória, mas, sobretudo, um exercício
de pensamento prospectivo. Que intervenção no futuro?
- Na realização do “ciclo”
e na produção da revista procurar-se-á envolver, quer na concepção, quer na realização, pessoas que se situem para lá das
fronteiras associativas da Abril em Maio e que se disponham a pensar
formas de intervenção cultural, a partir do projecto que a Abril em
Maio representa. Consideramos importante que nessas equipas possam
estar implicadas pessoas representativas de alguma diversidade geográfica,
para que se possa reequacionar a nossa “antiga” ideia de rede.
- Promover a divulgação e
venda dos materiais e produtos da Abril em Maio, fazendo coincidir
iniciativas nesse sentido com a realização do ciclo e com o lançamento
da revista.
Devolver
a palavra aos sócios
Esta
direcção compromete-se a, no final do ano de 2005, organizar um debate
interno na Abril em Maio, a culminar numa Assembleia Geral convocada para
o efeito, e onde serão apresentadas propostas e tomadas decisões
quanto às formas de dar continuidade à intervenção da Abril em Maio.
Sem
colocar em causa as especifidades, responsabilidades e competências
estatutárias de cada um dos órgãos a eleger, esta direcção privilegiará
um estilo de trabalho colegial (promotor da solidariedade e
corresponsabilização de todos, através de reuniões da Direcção
alargadas ao conjunto dos Corpos Gerentes), eficaz
(para cada reunião uma acta; em cada acta decisões concretas;
controlo de execução), económico
(uma reunião por mês e aplicação consequente do princípio “à
noite trabalham as lâmpadas”) e transparente (informação aos sócios
de todas as decisões e actividades).
|