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I - ABRIL EM MAIO - ASSOCIAÇÃO |
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1. A
ABRIL EM MAIO considera-se, por período
indeterminado, na "Estaca Zero".
Isto não
significa fazer tábua rasa do trabalho anterior, mas sim integrar na sua
acção a reflexão permanente sobre as questões da "cultura" e das
"associações" e também sobre a relação entre as realizações (que promove
ou acolhe) e a sociedade em que se insere. Significa
também não evitar, por comodismo, reformular, a qualquer momento, se
necessário, os seus objectivos, modos de funcionamento e formas
organizativas e encarar o seu encerramento em caso de impasse.
2. A ABRIL EM MAIO é uma estrutura associativa que
tem como principal objectivo, na sua fase actual, manter em funcionamento,
organizar e gerir um espaço destinado à prática de actividades culturais e
de convívio, não pautadas pela lógica do mercado.
Isto não
significa abandonar as actividades de "compra e venda" mas encará-las como
uma fonte de financiamento importante que dificultará a
"instrumentalização" da associação. Significa
também subordinar a "loja" - horário, fornecimentos - às actividades
principais em cada momento. 3. A ABRIL EM
MAIO adoptará os modos de funcionamento e as formas
organizativas que entender mais adequadas ao máximo aproveitamento do
referido espaço, segundo os princípios da máxima participação dos sócios e
da máxima economia de meios (financeiros e outros).
Isto não
significa actuar "à margem da lei", mas manter-se sem formalismos dentro
da legalidade estritamente necessária no que respeita a órgãos e registos
(contabilidade e actas) . Significa
também evitar a burocratização, através da procura de práticas mais
participativas e mais eficazes de tomadas de decisão e de funcionamento do
que as previstas na lei. 4. A ABRIL EM MAIO rege-se pelo ideal do auto-financiamento como condição de independência e de liberdade. Isto não significa que não possa recorrer a subsídios para a concretização de acções de outro modo impossíveis de realizar, mas que deverá decidir sobre as entidades a quem os pede e as condições em que os aceita. Significa também considerar a necessidade de encontrar fontes permanentes de receitas para lá das quotas e das vendas, tais como o aluguer de alguns espaços, de reactivar sistemas abandonados de trocas e orçamentar cada projecto que levar a cabo de forma a que ele, tanto quanto possível, se pague a si próprio. 5. A ABRIL EM
MAIO proporá anualmente um número limitado de "grandes
actividades", de características diversas e realizáveis, que serão a sua
razão de ser durante o ano em que decorrem.
Isto não
significa que estas sejam as únicas actividades no espaço. Pelo contrário,
esta programação central deverá prever a apresentação de projectos por
parte de sócios ou grupos de sócios e a utilização do espaço por outras
associações, grupos ou pessoas, em condições a definir. Isto significa
também que a ABRIL EM MAIO distingue uma "associação" de uma instituição:
a sua acção não se norteia pela instalação de uma rotina, mas pela
realização "excepcional" de qualquer coisa que só ela poderia ter a ideia
de fazer e saberia fazer daquela maneira. 6. A ABRIL EM MAIO faz-se com as ideias e o
trabalho voluntário dos sócios, com a consciência da necessária diferença
do contributo de cada um, segundo o princípio geral devidamente adaptado
"de cada um segundo as suas capacidades e a cada um segundo as suas
necessidades".
Isto não
significa nem a exclusão da profissionalização de elementos, nem a
exclusão dos sócios que não trabalhem na associação ou não participem na
vida associativa. Significa,
sim, que a ABRIL EM MAIO é o produto da colaboração dos que,
profissionalizados ou não, fazem propostas e as realizam e que ela
pertence, de facto, aos que propõem, realizam ou ajudam a
realizar. 7. A ABRIL EM
MAIO deverá combater por todos os meios o fechamento em si
própria, para o que terá de considerar como parte maior do seu "capital" o
contacto e cooperação com outras organizações e pessoas, nomeadamente de
outros países.
Isto não
significa a transformação da Abril em Maio num gabinete de relações
públicas ou numa agência de viagens, mas sim uma saudável desconfiança em
relação à palavra "associação" e uma prioridade à prática das relações com
os "outros" que manifestem interesses e preocupações afins, aproveitando
as oportunidades de cooperação e de intercâmbio na realização de projectos
concretos. Significa também
considerá-los destinatários privilegiados do nosso discurso, entendendo a
troca de informações, de opiniões e de recíprocas "prestações de serviços"
como a "rede" necessária e possível. |
| II - ABRIL EM MAIO - ASSOCIAÇÃO CULTURAL |
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1. À ABRIL EM MAIO não interessa "o cultural" em que a cultura se transformou, mas a cultura enquanto "conjunto de saberes, de saberes-fazer e de saberes-viver, fundado numa prática colectiva em que os indivíduos e os grupos são actores da sua própria existência". 2. À ABRIL EM MAIO não interessa, portanto, a "cultura" que a política (suportada pelo mercado) utiliza como instrumento de "consenso", a arte que paralisa. Não lhe interessam comemorações, grandes festivais, superproduções, tops, best-sellers... 3. À ABRIL EM MAIO interessam, sim, os produtos culturais (e muitos deles são arte) que, pelo modo como são produzidos e reproduzidos e o valor de uso que podem ter, resistem à instrumentalização política e económica. Aqueles que, de uma maneira ou de outra veiculem ideais de solidariedade e cooperação, visando a transformação, e que combatam o autoritarismo, a ideologia competitiva, o discurso dominante e os ditames do mercado. 4. À ABRIL EM MAIO interessa o trabalho dos intelectuais e dos artistas que, em vez de aceitarem, aprovarem e aplaudirem a ordem estabelecida, a contestam, a criticam e tentam combatê-la. 5. À ABRIL EM MAIO interessa tornar visível ou valorizar aquilo que - pondo questões ou tentando responder ao que nos inquieta, movendo-se "entre a aposta e o erro, a incerteza e a dúvida" - o mercado torna invisível ou desvaloriza. 6. À ABRIL EM MAIO interessa contribuir para a fruição colectiva e a apropriação crítica destas produções culturais. 7. À ABRIL EM MAIO interessa confrontar a "cultura" dos "cultos" com o saber e a linguagem dos "incultos". |
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